Um interlocutor adianta que episódio não deve mudar o relacionamento entre Executivo e Legislativo
Por FRANSCINY ALVES
21/10/20 - 15h05

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o presidente Jair Bolsonaro
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
"É difícil e desnecessário, mas isso não muda nada”. É assim que um líder mineiro ouvido pela coluna resume a última polêmica envolvendo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele desautorizou o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, e afirmou, em seus perfis nas redes sociais nesta quarta-feira (21), que o Brasil não vai comprar "a vacina da China".
A avaliação de políticos mineiros que fazem parte da base de apoio do presidente no Congresso é a de que o presidente “errou feio”, uma vez que se trata mais de uma questão de ego do que de interesse público. Mas, um interlocutor já adianta que isso não deve mudar nada no relacionamento entre Executivo e Legislativo.
“É realmente muito complicado. Não tem como justificar a fala dele, mas não faz sentido deixarmos a base agora. É muito mais uma crise interna de governo, que vai ser resolvida. Com o Congresso, tratamos de outras coisas: reformas, Orçamento, emendas. Mas permanece o conselho da base para que ele continue mais contido”, disse a fonte.
Na última terça-feira (20), Pazuello anunciou que o governo federal assinou protocolo de intenções para comprar 46 milhões de doses da CoronaVac, que está sendo testada no Brasil pelo Instituto Butantan. A parceria seria feita juntamente com o governo de São Paulo, comandado por João Doria (PSDB), desafeto do presidente.
Até o Ministério da Saúde divulgou um comunicado desmentindo Pazuello e dizendo que "não houve qualquer comprometimento” com a administração de São Paulo" e que "não há intenção de compra de 'vacinas chinesas'". O comunicado causou furor entre os governadores.
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